Atuais velhos mantras e a sala de aula

By 26 de agosto de 2014Maker Movement, Português

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Em um artigo recente no jornal O Globo, o filósofo Edgar Morin fala sobre a educação no Brasil e como o sistema não deve ignorar a criatividade das crianças no processo de aprendizagem. Segundo ele, a informação está em todo lugar e o papel do professor precisa mudar. Os alunos devem buscá-la, e os professores devem questionar as ideias e ajudar os alunos a desenvolverem  o pensamento crítico. Ele também critica os modelos de ensino que segmentam as áreas do conhecimento, porque ao fazê-lo, nós dificultamos a compreensão do mundo. Para resolver os problemas do cotidiano, é preciso pensar de forma holística e compreender diferentes conteúdos de diversas áreas do conhecimento. No Brasil, sempre tivemos educadores progressistas que idealizaram um sistema educacional que envolvesse alunos e despertasse  a curiosidade. Paulo Freire, no seu livro Pedagogia do Oprimido,  falou sobre a necessidade de abordar conteúdos relevantes para os alunos . O aluno precisa saber questionar e  aplicar o conhecimento adquirido para resolver problemas da sua comunidade, interagir e expressar a sua visão.

Se olharmos para o nosso sistema educacional hoje em dia, vemos que temos um longo caminho a percorrer para transformar a sala de aula e criar espaços onde os alunos possam ser criativos e expostos a conteúdos de uma forma mais pratica e pessoal. Em uma TED Talk, Paulo Blinkstein  fala sobre o FabLab @ schoolproject e o movimento do fazer. Segundo ele,  a foto abaixo nos mostra como um iPhone seria se tivesse sido concebido pela maioria dos reformadores educacionais. Ele diz que precisamos escolher qual conteúdo ensinar se quisermos dar espaço para personalização e abordagens mais experimentais.

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Eu estava conversando com uma professora da rede pública de ensino  quando ela me disse algo muito relevante. Se olharmos para o nosso currículo hoje, podemos chegar à conclusão de que a maior parte do conteúdo deve ser ensinado, mas precisamos mudar a maneira que ensinamos.

Diversos educadores dizem que a escola ensina de uma maneira muito teórica e que não alcança os alunos. Precisamos abrir espaço para a inovação e o pensamento crítico, mas não podemos ensinar essas importantes habilidades nos moldes tradicionais.

Eu estava planejando uma aula de Português semana passada tentando imaginar como eu poderia torná-la mais relevante e prática. A lição que eu deveria ensinar trazia um texto que tinha muitas frases curtas em dois parágrafos diferentes. As perguntas que se seguiam tinham o objetivo de fazer com que os alunos percebessem a estrutura gramatical (todos os períodos eram simples), e qual era a intenção do autor quando escolheu aquela construção. A lição parecia interessante, mas eu precisava  envolver os alunos. Eu tinha cerca de 20 minutos de aula, e em vez de pedir que os alunos fizessem o exercício de análise sintática  em sala de aula, pedi para que me contassem um pouco sobre suas aulas na escola e como se sentiam. Pedi para que escrevessem em grupos textos personalizados usando a mesma estrutura gramatical  e usassem seus telefones para fazer vídeos sobre seus relatos. Os alunos se envolveram, participaram, falaram sobre suas vidas e como as coisas poderiam ser diferentes para eles na escola. O nosso  maior desafio  é usar as ideias de educadores progressistas para dar aulas que são centradas nos alunos e promovem discussões relevantes para a nossa sociedade.

 

photo credit: Môsieur J. [version 9.1] via photopin cc

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