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Victor Coutinho é professor da CTJ desde 2017
e em janeiro de 2020 foi convidado
para se juntar ao time do Thomas Maker
como Educador Maker residente.

Eu sou professor de idiomas há mais de 10 anos. Nesse tempo me formei e me qualifiquei para o mercado de trabalho, e desde 2017 sou professor na Casa Thomas Jefferson. Quando entrei na CTJ, conheci o movimento Maker e me apaixonei logo de cara. Desde então sempre estive perto do Thomas Maker, fazendo oficinas, participando de formações e aprendendo mais sobre esse universo incrível. Em 2020, tive o prazer de ser convidado para fazer parte da equipe como educador maker residente e, olha… é justamente sobre isso que eu aqui conversar com vocês.

Como professor, minhas preocupações sempre foram centradas na minha sala de aula, na minha turma, nos meus alunos. Dentro da Thomas nós temos um super espírito de cooperação e compartilhamos várias atividades para que outros professores adaptem e usem em suas turmas. Mas de novo, são atividades desenhadas para o meu contexto e que professores adaptarão para o seu contexto. Existe uma fronteira bem definida no trabalho do professor. As nossas salas de aula podem interagir o quanto quisermos, mas ainda temos total controle sobre “a porta”.

Um makerspace é um lugar de aprendizagem, sim, mas funciona muito diferente de uma sala de aula. A ideia de termos um espaço na escola centrado no fazer, aberto para toda a comunidade, é incrível! E eu, como professor, tinha uma noção ainda vaga do impacto e da importância de um espaço como esse. Logo nas primeiras semanas, já percebi que o meu trabalho não giraria mais em torno do que acontece na minha bolha. O exercício de pensar nas distintas realidades educacionais ao redor do Brasil e do mundo foi desafiador, ainda mais em um cenário de pandemia. Só que, hoje, eu não apenas entendo, mas vejo em resultados concretos a importância de um espaço do fazer aberto a comunidade.

A criatividade e inventividade necessária para nos adaptarmos da noite para o dia a um novo contexto educacional foi o pontapé de uma enxurrada de projetos durante essa quarentena. Desde a formação de professores, coletânea de ferramentas digitais, planejamento de atividades pedagógicas, e até a busca de alternativas para solucionar problemas reais dessa nossa comunidade nesse momento de crise mundial. O trabalho de um makerspace, assim como o modelo mental forjado nesse espaço, nunca foram tão essenciais. É incrível ver o privilégio da nossa comunidade tem ao poder contar com um espaço aberto à ideação e prototipação de soluções de maneira ágil e certeira. Hoje, eu entendo que um makerspace não é apenas um espaço cheio de máquinas hi-tech e ferramentas sofisticadas para projetos bacanas.

Elas são importantes, sim, sem elas o Thomas Maker não poderia estar ajudando os profissionais de saúde pública do DF. Mas um makerspace não é movido por máquinas, ele é movido por pessoas. E a criatividade dessas pessoas é contagiante. Criatividade que tem ajudado centenas de professores dentro e fora da Casa a promoverem aprendizagem em momentos desafiadores. Das mais diferentes demandas aos mais diferentes contextos educacionais, nós estamos podendo ajudar. E eu, como educador, nunca aprendi e ensinei tanto quanto nesses últimos meses. E isso é um pouco do que é trabalhar em um makerspace que, mesmo fechado, nunca esteve de portas tão abertas para a sua comunidade.