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Se tivéssemos que resumir nossas experiências na Maker Faire NY 2018 em 8 dicas para sua sala de aula, com certeza seriam essas:

20180923_1203511. Faça conexões

Educadores que participam de uma feira maker presenciam os pilares da educação progressista em ação. Vemos acontecer na frente dos nossos olhos o que Dewey disse ser a essência  do aprendizado: “Dê aos alunos algo para fazer, não algo para aprender; e se a atividade exigir pensar e conectar ideias, os estudantes naturalmente aprenderão“. Se o filósofo participasse de qualquer uma das oficinas da feira, ele reconheceria facilmente o aprendizado que descreveu ao observar os alunos consertar e experimentar, repetir e fracassar e refletir sobre suas experiências práticas para informar suas decisões.

2. Compartilhe o que os alunos criam. Isso faz muita diferença

A maioria das plataformas usadas na Maker Faire (Scratch, Makerscad, Tinkercad, Solidworks Apps for Kids, etc) proporciona às pessoas a oportunidade de compartilhar com uma audiência autêntica os seus projetos. Fazedores compartilham não só os acertos, mas todo o processo de aprendizado. Durante a feira, as pessoas se ajudam, vibram e aprendem juntas. A inteligência do grupo faz com que a pessoa reflita, questione e refine o processo e tome decisões informadas. Na nossa sala de aula, o compartilhamento com uma audiência autêntica estimula o refinamento da produçāo escrita ou oral além de dar ao nosso aluno a oportunidade de analisar e produzir textos de diversos gêneros literários. Por exemplo, ao pedir que os alunos façam um site, o professor pode incentivar que os alunos analisem as características, voz e público alvo.  De porte dessas informações e sabendo que o site será lido por pessoas na vida real, os alunos, provavelmente, se empenharāo mais do que se estivessem escrevendo somente para o professor.

20180923_1258283. Incentive seus alunos a criar algo tangível (digital ou analógico)

O Construcionismo, uma visão desenvolvida pelo matemático e educador Seymour Papert, diz que o aprendizado acontece mais facilmente quando estudantes manipulam mídia (Legos, blocos de código, etc.). Papert, conhecido como o pai do movimento do fazer, foi o pioneiro do uso da tecnologia educacional para a criação de artefatos digitais que podem ser compartilhados, modificados e melhorados. O educador ficaria muito feliz em ver o que o movimento do fazer traz de oportunidade para a educação e como alunos e professores estão criando soluções, animações, tecnologia assistiva e educacional e gerando impacto social com propósito e significado.

4. Acredite no encantamento

A Maker Faire é um lugar mágico. Conhecemos pessoas apaixonadas pelo que estão compartilhando. Brilho nos olhos, sorrisos e abraços permeiam a forma com que as pessoas se relacionam por lá. As crianças estāo felizes e mergulhadas em descobertas. Artistas, designers, educadores, cientistas e inventores conversam e se conectam. Nāo tem ninguém tentando convencer ninguém que a educação precisa mudar. A forma de aprender e ensinar já é diferente. Antes de pensar no currículo, na pergunta norteadora e na sequência das atividades, experimente e sinta na pele o que é ser um aprendiz em um mundo diverso, plural e rico de recursos e oportunidades. Dê aos seus alunos a possibilidade de se apaixonar pelo aprendizado e pelo ambiente vibrante da sua sala de aula. Planeje sua aula para encantar que o engajamento vem a reboque.

5. Competências primeiro, TECNOLOGIA DEPOIS

As ferramentas que vimos sendo usadas na Maker Faire são fantásticas e poderosas. No entanto, elas nāo sāo o fim, mas o meio. Numa aula que observei recentemente, a professora pediu que os alunos criassem a escola do futuro. Durante o processo, comunicaram idéias, colaboraram e aprenderam a cortar, desenhar e fazer uma animaçāo. Saber como criar ecossistemas que promovem  colaboração, comunicação genuína e motivante é a grande vantagem de se ter um modelo mental maker.

6. Seja resiliente

Tanta novidade e curvas de aprendizado a nossa frente pode ser aterrorizante. Acredite que você pode transformar a sua maneira de ensinar, nāo tenha medo de errar e tenha sempre perto de você a sua rede de apoio – pessoas que compartilham o seu sonho. Se nós professores formos curiosos, humildes e soubermos encarar os desafios de uma forma positiva, o impacto na nossa sala de aula será enorme.

7. Prototipe suas ideias e peça ajuda

Durante Maker Education Forum (pré-evento da Maker Faire), ouvimos o Aaron Cunningham (da Google) nos falar sobre a implementaçāo dos makerspaces por lá. No começo, as pessoas usavam o espaço para programar e as impressoras 3D ficavam lá juntando poeira. Segundo ele, somente depois de algum tempo as pessoas começaram a vir prototipar suas invenções. De repente, as pessoas estavam ensinando e aprendendo e o espaço deixou de ser somente a “sala da impressora 3D” para se tornar em um espaço de aprendizado. Na nossa prática de sala de aula, é a mesma coisa. Queremos colocar ideias em prática, mas temos medo. Precisamos que a nossa sala de professores nos inspire a aprender. Precisamos que a nossa sala de aula nāo seja um espaço de ensinar técnicas e fórmulas e sim em um espaço onde as pessoas se apoiam na construção do aprendizado.

8. Ensine 20180922_130938para a vida

Universidades renomadas apontam para a tendência emergente de focar nas experiências dos alunos em espaços do fazer. O Chris Anderson do MIT deu uma mini palestra nos gramados da Maker Faire onde falou sobre como eles agora analisam os currículos dos seus candidatos. Segundo ele, os candidatos que conseguem apresentar um portfólio consiste  e explicar os projetos versando bem sobre seus propósitos, levam uma grande vantagem na admissão do tão disputado instituto. É importante para o MIT que o candidato seja capaz de criar uma narrativa sobre o que é os projetos que vai criar no instituto, para que ele serve e para quem ele cria impacto. Claro que bem pouquíssimos alunos brasileiros são aceitos no MIT e que o nosso sistema de aprovaçāo para o ensino superior é bastante engessado e arcaico. Mas, se provocarmos nossos jovens a terem esse tipo de reflexāo, mostrarmos as possibilidades de ferramentas gratuitas e comunidades de apoio, eles ficarāo mais preparados para as incertezas do futuro.

Veja outros posts sobre nos ida à Maker Faire NY 2018 aqui.

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