Este texto contém trechos construídos
a partir da leitura transversal
dos livros Maker Centered Learning e
The Power of Making Thinking Visible
combinados com trechos traduzidos
e adaptados do site do
Project Zero | Agency by Design
(incluindo imagens)

Quando falamos em empoderar nossos alunos por meio do desenvolvimento das competências do aprendizado centrado no fazer (maker-centered learning – MCL), segundo os preceitos do Project Zero (PZ), devemos nos lembrar do principal objetivo da abordagem: Desenvolver a proatividade e imbuir no indivíduo uma auto percepção de um indivíduo que tem as estratégias, habilidades sócio emocionais e inclinação para aprender o que for necessário para criar impacto positivo. O foco em se perceber em uma situação propícia para a aprendizagem é muito maior do que a aquisição de habilidades maker específicas, como saber programar ou modelar.  Em outras palavras, o desenvolvimento da percepção de si próprio como alguém que sabe fazer as escolhas das estratégias mais eficazes aliada a uma forte sensação de “eu consigo” são centrais.

Project Zero desenvolveu um modelo instrucional no qual as 3 capacidades maker (Looking Closely, Exploring Complexity and Finding Opportunity) servem como meio para cultivar a sensibilidade para o design dos objetos e sistemas a nossa volta. Para desenvolvê-las, devemos promover um comportamento disposicional, que se constitui de três elementos básicos: habilidades, inclinação e sensibilidade. As pessoas geralmente não desenvolvem essa disposição naturalmente, simplesmente por não perceberem oportunidades para fazê-lo e por receber pouco estímulo para tal em sua vida escolar. Ativar a disposição para algo requer a criação de hábitos mentais, uma tendência a manter um padrão regular de postura que precisa ser desenvolvido como qualquer outro hábito, engajando-se regularmente em certo formato de comportamento até que ele se torne rotineiro.

Os pesquisadores do PZ alavancaram a ideia de comportamento rotineiro e desenvolveram um conjunto de práticas chamadas Rotinas de Pensamento – RP (thinking routines). Rotinas de Pensamento são padrões curtos, projetados para serem fáceis de usar, fáceis de lembrar, fáceis de transferir e de serem ativamente eficazes quando usados em uma ampla variedade de tópicos. A idéia é que, quando o ensino em sala de aula inclui o uso frequente dessas Rotinas de Pensamento em uma variedade de assuntos e contextos, os alunos se acostumam a usar essas rotinas como um roteiro de reflexão crítica. Em outras palavras, eles desenvolverão uma disposição natural para refletir usando os padrões de pensamento que essas rotinas promovem.

Quase todas as pesquisas do PZ usam Rotinas de Pensamento para despertar o que eles identificaram como disposições de pensamento. Algumas vezes, as equipes de pesquisadores se apropriam de uma rotina de pensamento previamente criada. Outras, criam a rotina de pensamento que ajuda o aluno a direcionar e aprofundar o tipo de pensamento que querem estimular. As Rotinas de Pensamento não tentam fazer com que o conteúdo seja mais fácil, mas ajudam a melhor equipar os alunos para lidar com as diversas camadas de complexidade que estes conteúdos apresentam.

Ao longo dos anos, pesquisadores do PZ aprimoraram e expandiram as rotinas originais e novos projetos desenvolveram novas rotinas, e vários de seus projetos contribuíram para a construção e design de uma ferramenta com todas as Rotinas de Pensamento desenvolvidas por eles até então.

Os autores do livro Maker-Centered Learning destacaram 4 RPs que podem auxiliar o professor a estimular as capacidades de olhar de perto, explorar a complexidade e encontrar oportunidades. São protocolos fáceis de implementar e adaptar para situações contextos diversos.  São elas:

  • Partes, Propósitos e Complexidades – Essa RP ajuda os alunos a desacelerar, olhar de perto e a fazer observações detalhadas e cuidadosas, incentivando-os a ver muito além das características óbvias de um objeto ou de um sistema. Conheça mais sobre essa RP aqui.
  • Partes, Pessoa e Interações – Essa RP ajuda os estudantes a desacelerar e a olhar bem de perto um sistema. Ao fazer isso, os jovens são capazes de explorar sua complexidade situando objetos dentro de sistemas e reconhecendo as várias pessoas que participam – direta ou indiretamente – de determinado sistema. Conheça mais sobre essa RP aqui.
  • Pense, Sinta, Se importe - Essa rotina encoraja os estudantes a explorarem a complexidade de um sistema em particular e considerarem as diversas perspectivas de quem interage com esse sistema. O objetivo dessa rotina é ajudar os estudantes a entenderem no que as diversas pessoas que fazem parte desse sistema pensam, o que sentem e com o que se importam de uma forma particular analisando-o do seu ponto de vista. Conheça mais sobre essa RP aqui.

  • Imagine Se… – Inicialmente, essa RP estimula o pensamento divergente, à medida que os estudantes pensam em novas possibilidades para um objeto ou um sistema; depois, o pensamento convergente é encorajado, à medida que os estudantes encontram oportunidades mais eficazes de construir, explorar, (re)desenhar ou hackear esse objeto ou esse sistema. Conheça mais sobre essa RP aqui.

Com trechos traduzidos e adaptados para o português respeitando a licença estabelecida no site original

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