Makerspaces são lugares ideais para entender o que acontece quando alunos trabalham diretamente com a chamada “mídia manipulativa” – argila, Scratch, circuitos, Legos™, aplicativos de edição de filmes, etc. – para interagir, criar e compartilhar.

 

Sobre o Movimento do Fazer

O movimento do fazer (maker movement) dificilmente pode ser considerado algo novo. Está presente nos EUA há mais de uma década, com grandes semelhanças com aulas de workshops, educação artística tradicional e educação progressista. O “fazer” no cerne desse ressurgimento em ambientes educacionais, entretanto, é único em muitos aspectos, com seu foco importante em soft skills, como colaboração, solução de problemas, compartilhamento, aprendizado em conjunto, experimentação e processos iterativos.

No livro Maker-Centered Learning – Empowering Young People to Shape their Worlds, os autores afirmam que o Maker-Centered Learning (MCL) vai além de adquirir habilidades de fazedor (programação, ilustração digital, criação de vídeo, prototipagem rápida, etc.) ou de conhecimentos e habilidades específicos de uma disciplina. Trata-se de construir caráter, ganhar confiança criativa, saber colaborar com os outros e ser engenhoso quando confrontado com desafios. O ressurgimento do “fazer” em ambientes educacionais tem a ver com a abertura de um espaço na escola onde os alunos se reúnem para criar, inventar, mexer, explorar e descobrir. É também sobre tê-los aprendendo uns com os outros e criando representações visíveis de seu aprendizado – seja um vídeo em stop motion, uma animação ou um jogo feito em Scratch, um projeto de impressão em 3D, um circuito, um foguete ou um castelo de areia. O MCL oferece às pessoas ferramentas e ideias para repensar as configurações educacionais. Mas como começar? Como aproveitar o poder do “fazer” nas minhas aulas? Que ferramentas devo ter? Como é o ensino e a aprendizagem nesses chamados ambientes de MCL?

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Dicas para dar o primeiro passo

1. Qualquer espaço pode se tornar um makerspace

Não espere, você tem muito a aprender e é melhor você começar imediatamente. A maneira mais fácil de começar a fazer conexões com a sala de aula é envolver o maior número de pessoas o mais rápido possível. Na Casa Thomas Jefferson, a abordagem inicial foi levar o movimento para as bibliotecas. Antes da inauguração do espaço dedicado à produção – CTJ Makerspace -, professores, bibliotecários, estudantes e a comunidade começaram a experimentar com a idéia de que uma biblioteca escolar é um local de colaboração, aprendizado ativo, engajamento, descoberta e surpresa.

Quando você cria um makerspace numa biblioteca, você envia à sua comunidade a mensagem de que o modo como as pessoas aprendem mudou e que a escola está aprendendo junto. Basta encontrar algum espaço para colocar uma mesa e incentivar os desafios de brincar, investigar, projetar, desenhar e explorar abertamente. Comece com desafios de baixo custo e baixa tecnologia em um espaço onde as pessoas se sintam bem-vindas, desafiadas e ansiosas para aprender como fazer algo de valor para si ou para sua comunidade.

2. Chegue logo à conclusão de que o importante é construir comunidades e ter um modelo mental Maker

Faça contatos, visite outros fazedores, leia, compartilhe, desafie-se para aprender novas habilidades e seja resiliente. Participe de oficinas maker, observe de perto como as sessões são ministradas e aprenda como o ensino e a aprendizagem realmente acontecem nesse modelo. Traga criadores, entusiastas, engenheiros, parceiros e professores para um espaço criativo com fácil acesso a medias manipuláveis. Procure parceiros e, juntos, encontrem maneiras de oferecer à comunidade um espaço para se conectar com ideias, ferramentas e pessoas para corrigir, criar, hackear e fazer coisas novas. Mais importante ainda, faça isso junto com pessoas que acreditem que o sistema educacional precisa de uma mudança radical e que podemos ajudar a melhorá-lo.

3.  Lembre-se que o mais importante é a experiência de aprendizado e não somente a tecnologia, as ferramentas ou o espaço físico

Um makerspace pode ser qualquer coisa, desde uma mesa cheia de suprimentos de artesanato até um espaço com impressoras 3D, cortadoras a laser e ferramentas elétricas. No entanto, com o tempo você se tornará mais aventureiro e disposto a experimentar as possibilidades de prototipagem rápida dentro de ambientes educacionais. Coloque-se em uma posição na qual você precisará aprender com essas ferramentas. Mais uma vez, visite makerspaces educacionais para aprender como as narrativas educacionais são projetadas, e o que as pessoas estão fazendo, compartilhando e aprendendo. Preocupe-se com quais ferramentas e máquinas obter somente quando você já estiver familiarizado com o conceito.

4.  Compreenda as raízes e conexões educacionais centradas no fazer

O trabalho de John Dewey enfatiza o aprendizado por meio do fazer. O filósofo entendia a produção de conhecimento como um processo dinâmico que se desdobra à medida que os aprendizes se engajam por meio da interação reflexiva. O processo, segundo o filósofo, devia ser de ordem iterativa e envolver desafios práticos com aplicabilidade no mundo real. Duas teorias educacionais se conectam diretamente ao MCL – o construtivismo e o construcionismo. Jean Piaget argumentou que o conhecimento é construído através da interação entre o esquema conceitual do aprendiz e suas experiências no mundo ao qual esses esquemas são aplicados. No cerne das atividades do MCL, há um forte foco em consertar e descobrir soluções para os desafios, e ambos os processos começam com as próprias idéias e a inclinação e sensibilidade às oportunidades para moldar essas ideias por meio da ação direta e experimental.

Seymour Papert, considerado por muitos o pai do ressurgimento do fazer em ambientes educacionais, sustenta, na sua opinião (construcionismo), que o aprendizado acontece melhor quando os aprendizes trabalham diretamente com  ‘mídia manipulável’. Lego, argila, aplicativos de codificação, máquinas de prototipagem rápida ou até mesmo recicláveis. Papert deixou clara a relação entre construtivismo e construcionismo, a ênfase importante em fazer projetos tangíveis e a inclinação para compartilhar o que se faz com um público amplo ao longo de seu trabalho.

Em uma sala de aula centrada no fazer, os facilitadores incentivam os alunos a trabalhar juntos para resolver desafios e inspirar-se no trabalho uns dos outros. A aprendizagem entre pares e o trabalho de Lev Vygotsky relacionam-se fortemente com o MCL, pois ele promoveu a ideia de que todo aprendizado é social. Seu conceito de desenvolvimento por proximidade é altamente aplicável à variedade de aprendizagem entre pares que acontece em uma aula centrada no fazer. Embora a aprendizagem entre pares não seja um conceito novo, é importante notar que para o MCL, a aprendizagem entre pares é crucial, porque os alunos realmente sabem muito, ou porque a distribuição eficiente de instrução de habilidades requer isso, especialmente no caso de se ter um grande grupo que precisa aprender uma habilidade maker para realizar a tarefa. E a maneira mais rápida de disseminar o conhecimento é fazer com que os alunos ensinem uns aos outros.

O MCL possui fortes conexões com o Aprendizado Baseado em Projetos (PBL). Tanto o MCL quanto o PBL são orientados por interesses, podem usar conhecimentos e habilidades especializados e estimulam colaboração e iteração com frequência. Ambos também usam tecnologias de aprendizado diversas  (de lápis e papel para uma variedade de ferramentas digitais e analógicas) e em ambos, espera-se que os alunos criem produtos tangíveis que tornam os processos de aprendizagem visíveis.

Mas vale apontar as diferenças

  1. PBL é  uma pedagogia bem estruturada com parâmetros curriculares específicos. O MCL pode não ser tão bem estruturado quanto o PBL. Ou seja, para a MCL, a experiência de aprendizado pode começar simplesmente com  a abertura de um brinquedo ou a observação de um sistema ou produto, de modo que as questões de investigação surjam das interações do aluno com os materiais.
  2. O MCL não é uma abordagem instrucional bem estruturada como a PBL é. O PBL tem um conjunto de critérios que são frequentemente usados para enquadrar todo o currículo. Pode ser o caso do MCL, mas na maior parte, navega entre contextos variados de aprendizagem.

6. Participe de comunidades inspiradoras de aprendizagem

7. Explore Apps e ferramentas para criadores

8. Pesquise, implemente, reflita, modifique e melhore sua prática

9. Pertença, faça sentido, seja corajoso, proativo e construa em si mesmo competência criativa e confiança para fazer as coisas acontecerem

Leia sobre as oficinas Maker do CTJ Makerspace, especialmente projetadas para conectar pessoas, fomentar as capacidades dos fabricantes de olhar atentamente para produtos e sistemas, explorar complexidades e encontrar oportunidades para melhorar as coisas ao nosso redor.

10. Seja generoso e compartilhe sua trilha de aprendizado.

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